Artigo | 05/10/2015

Riscos relacionados a instalações elétricas em atmosferas explosivas

Inicialmente precisamos definir atmosfera explosiva, que é a mistura com o ar de substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa, poeira ou fibras onde, havendo uma fonte de ignição, a combustão se propaga através da mistura.

Os locais onde a presença de uma atmosfera explosiva é tal que exige precauções para a construção, instalação e utilização de equipamentos que possam liberar energia (calor, eletricidade etc.) são chamados de áreas classificadas.

Equipamentos elétricos ou outros equipamentos por sua própria natureza possam se constituir em fonte de ignição quando operando em uma atmosfera explosiva, preferencialmente, não deverão ser instalados nesses locais. Porém, muitas vezes é necessário a instalação nas áreas classificadas, de equipamentos que operam abertura e fechamento de contatos, ou que podem apresentar temperatura elevada, intencional (para atender a uma função própria do equipamento) ou provocada por correntes de defeito (curto-circuito) capazes, portanto, em condições normais ou anormais de operação, de iniciar uma deflagração (ignição ou explosão):

Por exemplo: de origem eletrônica: sensores, transmissores, circuitos eletrônicos em geral.

De origem elétrica: tomadas, painéis, luminárias, condutores nus etc.

De origem mecânica: esteiras, moinhos, separadores etc.

De origem eletrostática: por fricção, rolamento e no transporte e transferência de líquidos inflamáveis.

Considerando que, para que ocorra uma deflagração, deve-se ter simultaneamente uma atmosfera explosiva (mistura de oxigênio e combustível) e uma fonte de ignição, portanto, eliminando a presença de um desses fatores, se permite a presença do outro sem aumentar o risco final.

Desta forma, em situações onde exista uma alta probabilidade de ocorrência de uma atmosfera explosiva de gás, a confiabilidade será obtida pela utilização de equipamentos que possuam uma baixa probabilidade de se tornarem fontes de ignição.

Existem vários métodos de prevenção, que permitem a instalação de equipamentos geradores de faíscas elétricas (ou fagulhas de origem mecânica) e com temperaturas de superfície capazes de detonar a atmosfera potencialmente explosiva.

Esses métodos de proteção baseiam-se em um dos princípios: Confinamento, Segregação e Supressão.

Confinamento: este método evita a detonação da atmosfera, confinando a explosão em um compartimento capaz de resistir à pressão desenvolvida durante uma possível explosão, não permitindo a propagação para as áreas vizinhas. (Exemplo: equipamentos à prova de explosão Ex-d).

Segregação: é a técnica que visa separar fisicamente a atmosfera potencialmente explosiva da fonte de ignição. (Exemplo: equipamentos pressurizados Ex-p, imersos em óleo Ex-o, imerso em areia Ex-q, e imerso em resina Ex-m).

Supressão: neste método controla-se a fonte de ignição de forma a não possuir energia elétrica e térmica suficiente para detonar a atmosfera explosiva. (Exemplo: equipamentos intrinsecamente seguros Ex-i, equipamentos de segurança aumentada Ex-e, e equipamentos não acendíveis Ex-n).

Instalações elétricas em áreas classificadas, quando necessárias, devem seguir as normas de instalação Ex, como a NBR IEC 60079-14 – Instalações elétricas em áreas classificadas (exceto minas) e a IEC 61241-14 – Equipamentos elétricos para utilização em presença de poeira combustível – seleção e instalação.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – outubro/2015.