Artigo | 12/11/2015

O Calor e a Segurança do Trabalho

Com a proximidade do verão, que oficialmente começa apenas em 21 de dezembro, mas já trazendo dias bastante quentes (2015 está sendo o ano mais quente já registrado), é importante relembrar que o calor excessivo no local de trabalho pode gerar efeitos indesejáveis tais como: cansaço, falta de atenção e a negligencia no uso das vestimentas e EPIs necessários, podendo acarretar acidentes do trabalho.

Processos de trabalho como os de siderurgia, fundições, vidraçaria e outros, quando aliados a arranjos físicos deficientes: pé direito baixo e ausência de ventilação natural ou artificial tornam o ambiente de trabalho inadequado sob o ponto de vista da temperatura (calor) tornando necessária a adoção de medidas de controle.

Podemos ficar expostos a sobrecarga térmica devido à dois tipos de carga térmica: a carga externa (do ambiente), e a carga interna (metabólica). A carga externa é resultante da troca de calor que realizamos com o meio ambiente, enquanto que a carga metabólica é resultante da energia gasta para manter funções vitais como respiração, circulação, atividade glandular e da atividade física realizada.

Reações do Organismo ao Calor

A medida em que o calor aumenta, o organismo dispara certos mecanismos de troca térmica para manter a temperatura interna constante:

Vasodilatação Periférica: Permite o aumento da circulação de sangue na superfície do corpo, permitindo uma maior troca de calor com o meio ambiente.

Sudorese: A sudorese permite a perda do calor através da evaporação do suor, o número de glândulas ativadas pelo mecanismo termorregulador é proporcional ao desequilíbrio térmico existente. A evaporação de 1 litro por hora, permite a perda de 590 kcal para o meio ambiente.

Doenças Provocadas pelo Calor:

Golpe de Calor (hipertermia ou choque térmico): quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga térmica a temperatura interna aumenta continuamente, produzindo alteração da função cerebral produzindo sintomas como colapsos, convulsões, delírios, alucinações e coma.

Exaustão pelo Calor: quando a temperatura corpórea sobe, o organismo sofre uma vasodilatação periférica com aumento da quantidade de sangue nas áreas periféricas, com isso há uma diminuição de fluxo sanguíneo nos órgãos vitais, podendo ocorrer deficiência de oxigênio nessas áreas. Essa situação pode ser agravada quando há necessidade de um fluxo maior de sangue nos músculos devido ao trabalho físico intenso.

Prostração Térmica por Desidratação: A desidratação ocorre quando a quantidade de água ingerida é insuficiente para compensar a perda pela urina, suor e pelo ar exalado. Os sintomas incluem a perda da eficiência do trabalho, sede, irritabilidade e sonolência, além de pulso acelerado e temperatura elevada.

Prostração Térmica pela Perda de Eletrólitos: Se o sal ingerido for insuficiente para compensar as perdas por sudorese, podemos sofrer prostração térmica. Os principais sintomas são: fadiga, tonturas, falta de apetite, náuseas, vômitos e cãibras musculares.

Cãibras de calor: São espasmos dolorosos em um ou mais músculos que estejam sendo submetido a solicitação em ambientes quentes, resultam da deficiência de sódio ou outros eletrólitos. O tratamento consiste no descanso em local fresco, com reposição salina através de soro fisiológico.

Medidas de Controle da Sobrecarga Térmica

Medidas Relativas ao Ambiente:

Ventilação: Permite a introdução de ar fresco (ventilação) e a eliminação do ar quente e umidade (exaustão) além de aumentar a velocidade de troca de calor pela evaporação;

Barreiras Refletoras: Quando o calor radiante for significativo deve-se proteger o trabalhador com barreiras refletoras e isolantes térmicas, tipo biombos.

Mecanização dos Processos: A mecanização dos processos além de permitir que o trabalhador fique longe das fontes de calor, diminuem o ganho de calor metabólico.

Áreas de Descanso: Os locais de descanso devem ser adequados para recuperação térmica de acordo com o grau da atividade

Exames Médicos: Admissional com atenção aos sistemas cardiovascular, endócrino, renal e respiratório e exames periódicos para avaliação da resposta do trabalhador aos ambientes quente.

Aclimatação: A aclimatação é a adaptação do organismo a um ambiente quente. Quando um trabalhador se expõe ao calor intenso pela primeira vez, tem sua temperatura interna significativamente elevada, com um aumento do ritmo cardíaco e baixa sudorese. Apesar de suar pouco, pode perder muito cloreto de sódio nesse suor. O indivíduo aclimatado sua mais, consegue manter a temperatura do núcleo do corpo em valores mais baixos e perde menos sal no suor, mantendo também o ritmo cardíaco.

Uso de Equipamento de Proteção Individual: Quando o tempo de exposição for curto, ou quando as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas ou forem insuficientes.

Reposição Hídrica e Salina: Encorajar consumo mesmo sem sede, em pequenas quantidades a cada 15/20 minutos. Bebe-se mais (maior quantidade) se as bebidas tiverem sabor, do que água pura. Evitar café e bebidas gaseificadas.

Condições que Exigem Atenção

 Intensa atividade física e carga radiante;

 Trabalho extenuante onde o ritmo é ditado pelo processo;

 Trajes que impedem a evaporação do suor;

 Histórico pessoal de doenças relacionadas ao calor.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – novembro/2015.