Artigo |03/04/2017

Campos Eletromagnéticos

Hans Christian Orsted físico e químico dinamarquês descobriu em 1820, que uma corrente elétrica fazia oscilar uma agulha magnética próxima ao circuito elétrico ligado. Concluiu a partir da observação dessa experiência, a existência de uma relação entre os fenômenos elétricos e magnéticos.

Um dos cientistas mais influentes de todos os tempos, o inglês Michael Faraday verificou em 1831 que a variação do magnetismo próximo a um circuito elétrico fazia circular uma corrente elétrica, concluindo haver uma relação entre o magnetismo e a corrente elétrica.

Essas ações à distância provocada pela presença da carga elétrica ou de um imã, ficaram conhecidas respectivamente, como campo elétrico e campo magnético.

Campo Elétrico (E): grandeza que caracteriza a força exercida sobre cargas elétricas, na região em torno de qualquer ponto energizado de uma instalação elétrica, sua unidade é o quilovolt por metro (kV/m).

Campo Magnético: grandeza que caracteriza a força exercida sobre cargas elétricas na região em torno de um condutor conduzindo uma corrente elétrica. O Campo Magnético pode também ser criado em torno de um imã.

Os efeitos do campo magnético são caracterizados pelo valor de densidade de fluxo magnético (B), expresso em microtesla (μT).

Os Campos Elétricos e Magnéticos (CEM) existem nas proximidades de condutores e equipamentos energizados, tais como linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, transformadores, motores, fornos de indução e outros dispositivos.

Na questão das emissões eletromagnéticas a legislação brasileira , a Lei 11.934 de 5/05/2009 estabeleceu que fossem adotados, os limites recomendados pela Organização Mundial de Saude – OMS com base nos “Guidelines for Limiting Exposure to Time –Varying Electric and Magnetic Fields”(Diretrizes para limitação da exposição a campos elétricos e magnéticos variáveis ao longo do tempo) da ICNIRP-International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection.

A resolução normativa 398 de 23/03/2010 que regulamento a Lei 11.934, estabelece os limites para o campo elétrico em 4,17 kV/m e 8,33 kV/m respectivamente, para a exposição segura dos públicos em geral e ocupacional.Com referência aos campos magnéticos, os valores limite para o público geral e público ocupacional são respectivamente 83,33 µT e 416,67 µT.

Público em Geral – abrange todos os não integrantes do Público Ocupacional.

Público Ocupacional – adultos expostos a campos eletromagnéticos em função da sua atividade profissional, devidamente treinados e habilitados a tomar as precauções apropriadas.

Com relação aos campos eletrodomésticos, chama a atenção o relativamente alto valor do campo magnético produzido por equipamentos como o secador de cabelos (70 µT) e o barbeador elétrico (60 µT). Isso se deve a medição ter sido realizada no ponto de utilização, que no caso desses equipamentos é junto da pele.

Como sabemos, a intensidade dos campos eletromagnéticos varia de forma inversamente proporcional ao quadrado da distância, razão pela qual equipamentos de maior porte como TV (0,4 µT) e refrigerador (0,1 µT) apresentam um efeito relativo do campo eletromagnético significativamente menor.

Da mesma forma os valores dos campos elétrico e magnético emitidos por outras fontes, tais como: linhas de distribuição (13,8kV) e subtransmissão (88/138 kV), linhas de transmissão (acima de 138 kV), subestações e demais instalações, deverão atender aos limites da resolução 398 no que se refere aos limites de exposição dos públicos em geral e ocupacional.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – abril/2017.