Artigo |04/09/2017

Exposição Ocupacional ao Ruído

Objetivo: Controlar o ruído e o som intenso, de forma a evitar a ocorrência de lesões que provoquem perdas auditivas ou stress.

Podemos definir som, como tudo que é captado pelo sentido da audição. Fisicamente falando, são as alterações de pressão no ambiente que produzem o estímulo para a audição. O som é caracterizado por vibrações (variação de pressão) no ar.

Ruídos – O termo ruído é usado para descrever sons indesejáveis ou desagradáveis. As frequências componentes do ruído, não guardam relação harmônica entre si.

A sensibilidade ao ruído está associada à atividade que está sendo desenvolvida. O ruído de uma torneira pingando pouco atrapalha uma atividade que não exija foco e atenção, mas incomoda bastante a quem esteja tentando dormir ou executando alguma atividade que demande elevada concentração.

Quando o ruído ou o som é intenso e a exposição a ele é continuada, em média 85 dB (decibéis) por oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na orelha interna, que determinam a ocorrência da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).

A PAIR é o agravo mais frequente à saúde dos trabalhadores, estando presente em diversos ramos de atividade, principalmente na siderurgia, metalurgia, gráfica, têxteis, papel e papelão, vidraria, entre outros.

Sintomas: perda auditiva, dificuldade de compreensão de fala, zumbido, intolerância a sons intensos. O trabalhador portador de PAIR também apresenta queixas, como cefaleia, tontura, irritabilidade e problemas digestivos.

Prevenção: Sendo o ruído um risco presente nos ambientes de trabalho, as ações de prevenção devem priorizar esse ambiente. Existem limites de exposição preconizados pela legislação (NR 15 anexos 1 e 2; NHO 01; NBR 10151 e 10152), bem como orientações sobre programas de prevenção e controle de riscos, os quais devem ser seguidos pelas empresas.

Em relação ao risco ruído, deve existir um programa ocupacional para seu gerenciamento, envolvendo:

-designação de responsabilidade para cada membro da equipe envolvido;

-avaliação, gerenciamento e controle dos riscos, etapa na qual, a partir do conhecimento da situação de risco, são estabelecidas as metas a serem atingidas;

-gerenciamento audiométrico: estabelece os procedimentos de avaliação audiológica e seguimento do trabalhador exposto a ruído;

-proteção auditiva: análise para escolha do tipo mais adequado de proteção auditiva individual para o trabalhador;

-treinamento e programas educacionais: desenvolvimento de estratégias educacionais e divulgação dos resultados de cada etapa do programa;

-auditoria do programa de controle: garante a contínua avaliação da eficácia das medidas adotadas.

Tratamento e reabilitação: Não existe até o momento tratamento para PAIR. O fundamental, além da notificação que dará início ao processo de vigilância em saúde, é o acompanhamento da progressão da perda auditiva por meio de avaliações audiológicas periódicas.

Essas avaliações podem ser realizadas em serviço conveniado da empresa onde o trabalhador trabalha ou na rede pública de saúde. A reabilitação pode ser feita por meio de ações terapêuticas individuais e em grupo, a partir da análise cuidadosa da avaliação audiológica do trabalhador. Esse serviço poderá ser realizado na atenção secundária ou terciária, desde que exista o profissional capacitado, o fonoaudiólogo.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – setembro/2017