Artigo |23/10/2017

Artigo: Exposição Ocupacional ao Frio – Terceira Parte

Medidas de Proteção

As medidas básicas de proteção contra as doenças causadas pelo frio, iniciam-se pelos Exames Médicos Admissionais, onde devem ser excluídos das admissões para trabalho em condições de frio intenso, os portadores de diabetes e epilepsia, fumantes, alcoólatras, pessoas que tiveram lesões devidas ao frio, doenças articulares e cardiovasculares periféricas.

Seguem -se pelos Exames Periódicos, que devem verificar principalmente o surgimento de problemas circulatórios, ulcerações, dores nas articulações, perda de tato, faringite, rinite, sinusite, amidalite, pneumonia, etc. Na ocorrência de alguns destes sintomas, o trabalhador deve mudar de setor e receber tratamento médico adequado.

Vestimenta Apropriada que deve ter grande resistência térmica, mas também capacidade de liberar o suor formado sobre a pele quando o trabalhador estiver desenvolvendo atividade intensa. Uma vestimenta superdimensionada pode provocar sudorese excessiva, exigindo mais atividade do organismo para manter o balanço térmico. Além disso, a pele fica molhada, provocando a sensação de resfriamento quando o suor evapora nos momentos em que o trabalhador diminui sua atividade.

Educação e Treinamento, onde é preciso conscientizar o trabalhador para que tome as seguintes medidas:

a) usar roupas, calçados e luvas adequadas,

b) trocá-los quando estiverem úmidos ou apertados,

c) movimentar-se durante os períodos de repouso, exercitando inclusive, as mãos, os pés, os dedos, as articulações em geral, e ativando a circulação periférica,

d) evitar exercícios pesados durante os intervalos das refeições, a fim de não perder calor em excesso, bem como evitar choques térmicos quando do retorno à câmara.

Aclimatação, verifica-se que em indivíduos expostos de modo prolongado, ao frio, ocorre a melhoria do desempenho. Observa-se paralelamente um aumento do fluxo sanguíneo para as mãos, ao lado de uma sensação de menos desconforto que permite a realização do trabalho de modo mais efetivo, e aumento da habilidade no uso das roupas de proteção.

Recomendações no Brasil (Ministério do Trabalho)

Do ponto de vista da normalização brasileira, muito pouco se pode encontrar de orientação para as condutas do trabalho frente à exposição ao frio.

A responsabilidade pelo estabelecimento das normas de proteção, segurança e saúde do trabalhador conforme a Constituição do Brasil e legislação ordinária está a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Particularmente, as únicas considerações sobre o frio estão contidas no artigo 253 da CLT (Consolidação das Leis do trabalho - Lei 6.514 de 22 de dezembro de 1977) e no anexo n° 9 da norma regulamentadora NR-15 (Atividades e Operações Insalubres) aprovada pela Portaria 3.214 de 08 de junho de 1978.

Conforme o Art. 253: Para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de uma hora e quarenta minutos de trabalho contínuo, será assegurado, um período de vinte minutos de repouso, computado esse intervalo como o de trabalho efetivo.

Consta na norma NR-15: “As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho”.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – outubro/2017.