Artigo |14/11/2017

Artigo: Burnout: a síndrome do esgotamento profissional

A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar), é um distúrbio depressivo causado pelo esgotamento físico e mental ligado à atividade profissional.

Três características marcam a doença. A primeira é a exaustão, há uma sensação de fraqueza, ocorrência de dores musculares e de cabeça, insônia, queda da resistência imunológica e diminuição do desejo sexual.

A segunda característica, refere-se a alterações da personalidade. O profissional passa a ter um contato mais distante com os seus colegas e com os clientes, tornando-se depressivo e mal-humorado.

A terceira relaciona-se à produtividade. A pessoa produz pouco e acha que seu trabalho não lhe traz satisfação pessoal.

São doze os estágios da síndrome de Burnout:

1. Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz;

2. Dedicação intensificada - com necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia (imediatismo);

3. Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos;

4. Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;

5. Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da autoestima é o trabalho;

6. Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;

7. Recolhimento e aversão a reuniões (recusa à socialização);

8. Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor);

9. Despersonalização (evitar o diálogo e dar prioridade aos e-mails, mensagens, recados etc);

10. Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;

11. Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;

12. E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica são requeridos.

Tratamento: Essa síndrome é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas leis brasileiras como doença ocupacional. Dessa forma, é possível o afastamento do trabalho para tratar a síndrome. O problema está na dificuldade de se estabelecer um diagnóstico conclusivo, pois muitas vezes ela é confundida com depressão.

Em geral, antidepressivos fornecem algum alívio. Mas o tratamento envolve outras práticas terapêuticas, incluindo a psicoterapia.

Existem três objetivos no tratamento psicoterápico: a relação com a profissão, o ambiente de trabalho e o trabalho com foco nos sintomas – por exemplo, a dificuldade de concentração.

Junto à terapia, os especialistas aconselham melhorar a qualidade de vida, prevenir o estresse, garantir boa saúde física, dormir e alimentar-se bem, praticar atividades físicas e manter hobbies e interesse pela vida social.

Decio Wertzner – Fazer Segurança – novembro/2017.