Notícias |23/11/2015


Alimentos embalados em caixinhas podem ser perigosos para a saúde

Um estudo realizado em três países (França, Alemanha e Holanda) pela ONG de defesa do consumidor e da qualidade alimentar Foodwatch, e que envolveu a análise de mais de uma centena de produtos alimentícios comercializados na Europa, revelou que muitas das embalagens utilizadas possuíam produtos potencialmente cancerígenos e suscetíveis de provocar perturbações no sistema endócrino, além de alterações genéticas.

Segundo a Foodwatch, 43% dos produtos analisados nos três países estavam contaminados por hidrocarbonetos aromáticos derivados de óleos minerais, substâncias que podem causar alterações genéticas, câncer e provocar intoxicação.

Entre os três países, a França foi aquela que apresentou os resultados mais preocupantes, com seis produtos classificados na categoria mais perigosa, segundo aquela organização não-governamental. Para a diretora de comunicação da Foodwatch França, Ingrid Kragl, "os hidrocarbonetos contidos nessas embalagens são potencialmente cancerígenos e os responsáveis da indústria agroalimentar e as autoridades fecham os olhos perante o problema".

O estudo revelou também uma grande incidência de hidrocarbonetos saturados, muito prejudiciais para os seres humanos e que foram encontrados em 83% dos produtos analisados.

Segundo explicou o presidente da Rede de Saúde Ambiental, André Cicolella, o processo de contaminação pode ocorrer nas diversas etapas a que um produto é submetido: linha de produção, embalagem, armazenamento e transporte. Cicolella, toxicologista especializado na avaliação de riscos sanitários, pediu às autoridades para atuarem face a esta "situação de crise sanitária" através de uma regulamentação séria.

A associação Foodwatch já tinha alertado para este problema num artigo publicado em 2011 numa revista francesa, mas na ocasião, "os ministérios da Saúde, da Agricultura e da Economia distribuíram culpas entre eles, sem resolver nada", lamentou Ingrid Kragl.

A Foodwatch defende que as autoridades governamentais, os produtores, os fabricantes e a indústria agroalimentar estabeleçam medidas conjuntas para eliminar o problema.

Acrescentar uma embalagem extra entre os alimentos e o cartão, que consiga isolar os alimentos das substâncias tóxicas, ou a criação de materiais de embalagem mais eficazes e seguros são algumas das possíveis soluções recomendadas pela organização.

Fonte: Notícias O minuto com PPNews